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Vale a pena perseguir um sonho infantil?

Num inverno carioca, nos loucos anos setenta (para os curitibanos, quase verão), dona Iolanda, uma amiga de minha avó, surge no seu Karmann Ghia vermelho conversível. O carrinho era lindo como ele só! Parecia saído de um universo da boneca Suzi, ou da sua prima americana, Barbie.

Eu, ainda criança, deixei meu queixo caído naquela rua de Copacabana, imaginando como seria pilotar o carrinho e sentir o vento nos cabelos, o sol acariciando a pele do rosto.

As férias no Rio de Janeiro chegaram ao fim e as aulas nas manhãs geladas de Curitiba seguiram seu curso. Cinquenta anos se passaram! Os Lindos conversíveis aos poucos foram enxotados das ruas de Copacabana, seus motoristas temerosos com tantos assaltos e violência. Nossa família curitibana encontrou outros paraísos ensolarados para onde fugir no inverno. Mas a lembrança do Karmann Ghia ficou tatuada em algum lugar do meu cérebro.

De repente, nos tempos de Google e IA, os carrinhos conversíveis simplesmente invadiram as minhas telas, como se alguma entidade digital onipresente pudesse acessar a memória de dona Iolanda e seu carrinho vermelho naquele mês de julho no Rio de Janeiro.

Foi a minha deixa.

Fisgada pelas fotos coloridas dos carros brilhantes, corri atrás de um bom amigo, colecionador de carros antigos, que conhecia um amigo do amigo e, dois meses depois, negócio fechado.

Meu carrinho amarelinho, Karmann Ghia conversível, ano 1968, entrou na garagem como uma celebridade no tapete vermelho. Nos domingos de sol, faz sucesso por onde passa e até serviu de carruagem para noivos recém-casados.

Amarro um lenço no cabelo para fazer charme no estilo anos sessenta e saio sorrindo, cabelos ao vento.

Adoro a sensação de liberdade nostálgica.

Enfim, valeu a pena realizar meu sonho de menina.

Respostas de 4

  1. Espero que ela use o seu conversível em outros paraísos tropicais pois aqui no Rio será perigoso.
    Tenho um fusca alemão “lest edition” 1979, onde 1.000 fusca conversiveis de fábrica, em conjunto com o estúdio Karman, foram feitos para comemorar o encerramento da produção do Fusca na Alemanha, uma coisa linda com o qual só saio para encontros de carros antigos e mesmo assim com muito medo.

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